Tereza

Eu tive um primeiro amor. Seu nome era Tereza, e seu cabelo era cheiroso.

Eu tinha 12 anos. Ela tinha 11. Gostava de lembrar que Tereza era um mês e oito dias mais nova que eu. Eu me sentia protetor. Para Tereza escrevi as primeiras cartas de amor, em Tereza dei meu primeiro beijo, com Tereza eu imaginava um futuro.

No nosso primeiro natal como casal, resolvi comprar um presente para ela. Comecei a juntar dinheiro no começo de novembro, só pra prevenir. Todas as tardes me oferecia para comprar pão para minha mãe, e guardava o troco na segunda gaveta da minha escrivaninha.

Dia 16 de dezembro de 2003 comprei o presente de Tereza. Embrulhei em uma caixa grande, com uma fita vermelha. Escrevi uma carta, e prendi o envelope na fita. Dia 24 entreguei o presente. Seus cabelos estavam mais cheirosos do que nunca naquele dia, e ela sorriu ao abrir a caixa, e piscou pra mim ao ler a carta.

Duas semanas depois, no início do ano novo, Tereza terminou comigo. E eu lembro até hoje do cheiro do seu cabelo. Shampoo de maçã, eu acho.

Escrevi essa história pra dizer o seguinte: Tereza existiu de verdade (mas ela não se chamava Tereza. Só achei que esse era um nome poético, sei lá).  Eu poderia ter pedido dinheiro à minha mãe para comprar o presente de Tereza. Mas acho que era importante conseguir o dinheiro por minha conta, com meus esforços.

Esforço. Esse é o grande lance do amor.

Não lembro o que senti quando Tereza terminou comigo. Não lembro dos motivos de Tereza. Não lembro de quase nada dos meus 12 anos. Mas sou grato à tereza, por me preparar por tudo que eu passei anos depois de ter tido o coração partido por uma menina com cabelos cheirosos.

E se me permite, vou citar Justin Bieber:

My first love broke my heart for the first time, and i was like: Baby, baby, baby, ooooh.
rs.

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11 Responses to “Tereza”


  1. 1 @romullo maio 24, 2010 às 9:48 am

    Ótima história.

    O que eu acho mais engraçado em todas essas histórias é que com 12 anos eu era muito infantil pra pensar/interpretar o que era o amor, meu “amadurecimento” foi bem lento… mas fico maravilhado com essas histórias, são lindas mesmo.

  2. 2 thamiws maio 24, 2010 às 9:54 am

    ai qe lindo isso *___*

  3. 3 Paulinha maio 24, 2010 às 3:00 pm

    Broxei com a sua citação do final do post HAHAHAHAH
    Muito lindinha sua história de amor com a Tereza e seus cabelos cheirosos, imagino vocês dois passando o Natal juntos, nhonho.

    Eu não lembro muito bem dos meus 12 anos. Na verdade, eu até lembro, mas eu preferia não lembrar hihi. Agora me pergunta dos meus 13? Foram digníssimos.

    Beijinhos.

  4. 4 Carenn Rodrigues maio 24, 2010 às 3:12 pm

    Amei Vitor!Tbm tive meu primeiro amor com 12,e continua me ferrando até hj,com 15…kkkkkkkkk’
    Foi bom ler a sua experiencia e saber que meninos tbm passam por isso..te amo!

  5. 5 Bruna Dantas maio 24, 2010 às 3:23 pm

    Meu primeiro amor foi lindo, mas nunca foi retribuído. ): haha

  6. 6 Bruna Dantas maio 24, 2010 às 3:26 pm

    E eu adorei o post, ok. Podia se lembrar dos seus leitores com mais frequência. ):

  7. 8 Little Lucy maio 24, 2010 às 8:45 pm

    Sabe, meu primeiro amor foi um Pedro (e esse era realmente o nome dele, só pra constar). Eu tinha 8 anos, e ele tinha 11. Não tive meu primeiro beijo com ele, tampouco cheguei a abraçá-lo alguma vez. Mas ele era o irmão mais velho de uma amiga minha. Na época, eu morava no Rio de Janeiro. E, sabe, ela nunca soube, mas quando eu ia pra casa dela o meu motivo real era pra ficar lá, rindo das bobeiras do Pedro, sentindo meu coração bater forte ao vê-lo se sentando ao meu lado quando jogávamos videogame. Uma coisa que eu não esqueço é de que ele sempre dividia o Trakinas de chocolate dele comigo. Porque ele não gostava de dividir, mas ele sabia o quanto eu gostava. Então ele olhava pra mim e sorria, “Ei, quer?” e eu aceitava, sorrindo ainda mais abertamente. Tive meus momentos mais felizes do lado dele, e ele nunca soube o quanto me fazia bem. E aqui estou eu, oito anos depois, relembrando disso e compartilhando com o mundo… haha

    O fato é que o primeiro amor a gente nunca esquece. E, na real, nenhum amor a gente esquece. E, embora haja um fim, cabe a nós tentarmos sempre lembrar das coisas boas. Então, embora Tereza tenha partido o seu coraçãozinho em dois (precisava dizer isso, rs), ela te proporcionou momentos bons, porque foi o começo de tudo. E, de algum modo, você ainda sente algum carinho por ela. Caso não, jamais escreveria sobre ela aqui. E sabe de uma coisa? Se tudo isso não tivesse acontecido, você não estaria aqui falando sobre ela, e nós, leitores, não estaríamos lendo sobre isso e não conheceríamos ainda mais sobre quem você é, Vits. E saber sobre você é algo que muita gente adora, como eu :) haha

    <3

    P.S. Comentário enorme, eu sei. Acabei me empolgando aqui, socorro ._.

  8. 9 adsf maio 24, 2010 às 9:30 pm

    *chorando* aaaaah, amo seus textos, eles sempre me fazem chorar, risos. Bom, quase todos. ‘-‘

  9. 10 Naath :] novembro 13, 2010 às 12:06 am

    Own, que lindo! Bom, tenho 13 anos e meu primeiro amor foi maravilhoso e retribuído. Já o segundo minha maior tristeza. Foi esse ano. Ele já foi meu melhor amigo, sabia tudo sobre mim. Por eu amar uma banda que hoje todos dizem ser gay (banda cine, nem por isso amo rextarti, eca q), .. ele se cansou de mim por eu ser fanática. Com ele aprendi todos os dias, aprendi amar itensamente. Mas infelizmente ele nao soube aproveitar tudo que fiz por ele. Nao soube me respeitar. Nao é só pela banda que brigamos. Depois de tempos ele me xingava e falava mal de mim. Hoje, olho para ele na escola como se eu estivesse esquecido tudo. Fazendo cada dia um muro de solidão em minha vida. Enfim, espero que você um dia possa receber o amor que voce sentia por ela, e voce o mesmo.


  1. 1 Tweets that mention Tereza « - break your little heart in 2 -- Topsy.com Trackback em maio 25, 2010 às 5:33 am

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Vitor Martins, 20, Rio de Janeiro

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